História de Queens
O puzzle Queens parece totalmente novo, impulsionado pelo LinkedIn desde 2024. No entanto, a sua ideia atravessa quase dois séculos de matemática e de jogos de lógica. Eis a sua história, do tabuleiro de xadrez ao seu navegador.
O problema das oito rainhas (1848)
Tudo começa em 1848, quando o jogador de xadrez alemão Max Bezzel coloca uma questão que se tornou célebre: é possível colocar oito rainhas num tabuleiro de xadrez sem que nenhuma ataque outra? No xadrez, uma rainha varre toda a sua linha, a sua coluna e as suas diagonais. O desafio consiste, portanto, em encontrar uma disposição em que as oito rainhas coexistam em paz. O problema depressa apaixona os matemáticos; o matemático Carl Friedrich Gauss interessou-se pelo problema, e demonstra-se que existem noventa e duas soluções num tabuleiro clássico de oito casas de lado.
Generalizado a um tabuleiro de tamanho qualquer, torna-se o problema das N rainhas, um clássico da informática. Serve para ensinar a recursividade e o retrocesso, esses métodos em que se tenta uma pista e depois se volta atrás assim que ela conduz a um impasse. É já o espírito de Queens: colocar, eliminar, recomeçar.
Esta ligação com a informática não é anedótica. Ainda hoje, a nossa versão de Queens apoia-se num resolvedor inspirado nesses mesmos algoritmos: cada grelha gerada é testada para garantir que possui uma solução única, exatamente como se enumeram as soluções do problema das N rainhas. O legado de 1848 está, portanto, bem vivo, em cada partida que inicia.
O problema não se detém em Gauss: já em 1850, o matemático Franz Nauck publica, por sua vez, várias soluções completas do problema das oito rainhas, contribuindo para a sua difusão para além do simples círculo dos jogadores de xadrez. De Bezzel a Gauss e depois a Nauck, um enigma nascido num tabuleiro de xadrez torna-se, em poucos anos, um objeto de estudo por direito próprio.
Uma peça escolhida pela sua potência
A escolha da rainha nada tem de banal. É a peça mais móvel do tabuleiro de xadrez: desloca-se por tantas casas quantas desejar, em linha reta, em coluna ou na diagonal, o que torna o problema difícil de resolver. Um problema equivalente colocado com torres ou bispos, mais limitados nos seus movimentos, não teria a mesma complexidade. É esta restrição máxima, herdada diretamente do xadrez, que Queens retoma hoje: uma região de cor substitui a diagonal, mas o espírito permanece o mesmo, uma peça poderosa que é preciso isolar linha após linha, coluna após coluna.
O Star Battle das revistas de lógica
O puro problema das rainhas é um exercício de matemática, ainda não um jogo para o grande público. A viragem vem das revistas de quebra-cabeças, que popularizam uma variante chamada Star Battle. Nela, substituem-se as rainhas por estrelas, acrescentam-se regiões desenhadas na grelha e, sobretudo, impõe-se uma restrição mais suave: duas estrelas só se incomodam se se tocarem, inclusive na diagonal, em vez de se atacarem à distância.
Estes dois acréscimos, as regiões e a regra de contacto, mudam tudo. O puzzle torna-se resolúvel por dedução pura em vez de por força bruta, e cada grelha pode almejar uma solução única. É exatamente a mecânica que encontra hoje em Queens: uma rainha por linha, por coluna, por região, sem contacto.
Este tipo de grelha com regiões não fica confinado às páginas impressas: alimenta também competições de quebra-cabeças cronometradas. Esta vida dupla, revista e prova cronometrada, prepara já o terreno para o formato diário e partilhado que o LinkedIn popularizará mais tarde.
Wordle e o fenómeno dos quebra-cabeças diários
O sucesso de Queens não se explica apenas pela sua mecânica: inscreve-se numa onda mais ampla. Em 2021, o jogo Wordle, uma palavra a adivinhar em seis tentativas, desencadeia um entusiasmo mundial pelos quebra-cabeças diários em linha, ao ponto de ser adquirido pelo New York Times em 2022. Uma única grelha por dia, a mesma para todos, um resultado partilhável em alguns emojis: este formato tranquiliza tanto quanto cria o hábito.
O LinkedIn inscreve-se nesta mesma dinâmica ao lançar o seu conjunto de minijogos diários em 2024. Queens herda-a diretamente: uma grelha única, publicada uma vez por dia, pensada para uma pausa curta. O ritual do quebra-cabeças diário, popularizado pelo Wordle, tornou-se um ingrediente por direito próprio do sucesso de Queens.
LinkedIn Queens e a web (2024)
Em 2024, o LinkedIn acrescenta um punhado de minijogos diários à sua plataforma, na linha dos quebra-cabeças de imprensa tornados virais. Queens faz parte deles. A rede profissional retoma a mecânica do Star Battle, veste-a de regiões coloridas e publica uma grelha por dia, partilhada por todos. O formato diário e a partilha de pontuações fazem dele um ritual que se espalha muito depressa.
O sucesso pede versões web como a nossa. A ideia não é substituir a grelha diária do LinkedIn, mas prolongá-la: grelhas ilimitadas, um modo de progressão do 6x6 ao 9x9, um desafio do dia com arquivo, um desafio semanal e uma classificação, tudo gratuito e sem conta. O velho problema de Max Bezzel, que passou pelas revistas de lógica e pelo LinkedIn, joga-se agora à vontade num navegador.
De resto, Queens é apenas um dos minijogos diários lançados pelo LinkedIn nesse período, ao lado de Tango e Pinpoint. As nossas versões web retomam este espírito de quebra-cabeças diário: encontre-as, com todos os nossos outros jogos, reunidas num mesmo hub.
Por que este jogo agrada: a dedução pura
O que atravessa quase dois séculos, do tabuleiro de xadrez de 1848 às grelhas coloridas de hoje, é uma mesma mola: a satisfação da dedução pura. Nenhuma casa se adivinha ao acaso, nenhuma sorte intervém. Cada decisão decorre logicamente da anterior, até que a única disposição possível surja.
É também o que torna o formato diário eficaz: uma sessão curta, inteiramente dominável, que deixa uma sensação de realização nítida. O problema das oito rainhas exigia outrora papel e lápis, por vezes várias horas; Queens oferece o mesmo rigor, condensado em alguns minutos, acessível a quem nunca ouviu falar de Max Bezzel.
Em resumo
Um problema de xadrez de 1848, uma variante de revista com regiões e regra de contacto, depois um minijogo diário lançado pelo LinkedIn em 2024: eis as três etapas que deram o Queens que joga hoje.
Perguntas frequentes
De onde vem o problema das oito rainhas?
Remonta a 1848, quando o compositor de xadrez Max Bezzel perguntou como colocar oito rainhas num tabuleiro de xadrez sem que nenhuma atacasse outra. Carl Friedrich Gauss interessou-se depois por ele, e Franz Nauck publicou soluções completas já em 1850.
O problema das rainhas ainda é útil hoje?
Sim. A sua generalização, o problema das N rainhas, continua a ser um exercício clássico para ensinar a recursividade e o retrocesso (backtracking). O nosso resolvedor de grelhas Queens apoia-se nesses mesmos princípios para garantir uma solução única em cada problema.
O que é o Star Battle?
O Star Battle é uma variante difundida nas revistas de lógica e nas competições de quebra-cabeças. Substitui as rainhas por estrelas, acrescenta regiões na grelha e impõe uma regra de contacto mais flexível: duas estrelas só entram em conflito se se tocarem, diagonais incluídas.
Desde quando o LinkedIn oferece Queens?
O LinkedIn lançou Queens em 2024 no seu conjunto de minijogos diários. A regra retoma a do Star Battle: uma rainha por linha, por coluna e por região, sem que nenhuma toque outra.
Por que os quebra-cabeças diários como Queens se tornaram tão populares?
O fenómeno remonta ao Wordle em 2021, adquirido pelo New York Times em 2022, que popularizou a grelha única publicada uma vez por dia. O LinkedIn retomou essa fórmula para Queens em 2024, e a nossa versão oferece uma variante ilimitada dela.